A figura de Jesus
sempre chamou a minha atenção. Os seus ensinamentos, as suas palavras, e até
mesmo a forma de tratar as pessoas de sua época demonstram a grandiosidade da
sua personalidade. Muitas pessoas, atualmente atribuem a completude do
Evangelho de Cristo ao desmando de alguns, e fazem dos erros destes como que
provenientes da Bíblia.
1) O Perdão
E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos.
Infelizmente, uma verdade que se
observa nos nossos dias é que o evangelho de Cristo, as “boas novas” que são
pregadas nas Igrejas Evangélicas e ditas como que vividas por alguns cristãos
distanciam-se muito do evangelho da Bíblia, e especialmente do vivenciado e
apregoado por Jesus. Infelizmente, vive-se em meio a uma sociedade que a cada
dia tem se tornado mais egoísta, na qual os indivíduos fecham-se cada qual em
seu “mundo”, e fazem deste a sua extrema prioridade, e isso vem ocorrendo também
nas Igrejas - no meio do povo Cristão. Uma das consequências oriundas de tal
postura é que cada vez mais no mundo, as pessoas que têm sofrido, e levado este
sofrimento por toda a vida terrena.
Os ensinamentos de Jesus, embora
vinculados a religiões específicas, não se resumem a estas, pois o mesmo, não
estabeleceu em momento algum qualquer tipo de religião, mas sim um modo de
enxergar a vida, de tratar ao seu próximo e a Deus que se observados irão nos
trazer diversos benefícios desde que sejam seguidos verdadeiramente por cada
um. Irei citar neste breve texto, algumas atitudes de Jesus que me chamam
atenção e que podem ser observadas por nós e aprendidas, se assim quisermos.
1) O Perdão
E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais
do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém
te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E
disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.
João 8:10,11. Fonte: https://www.bibliaonline.com.br/acf/jo/8
Neste texto, a bíblia narra a história
de uma mulher que foi pega em adultério, e pela Lei de Moisés, esta deveria ser
apedrejada. E então os Escribas e Fariseus, que eram autoridades religiosas da
época procuram Jesus, com o intuito de ter algum motivo para acusá-lo. E então
perguntam ao Bom Mestre, o que deveria ser feito com ela, após essa pergunta,
Jesus responde a eles: “Quem não tem pecado que atire a primeira pedra”, e ao
ouvir esta palavra, os acusadores da mulher adúltera que estavam prontos para condená-la,
saem daquele local envergonhados e confusos, agora conscientes de sua
fragilidade humana. Talvez, muitos daqueles que estavam acusando aquela mulher,
portando-se como juízes cometiam erros semelhantes ao dela, e até maiores, mas
por gozarem de uma situação privilegiada, por se acharem “adornados” de uma
santidade inexistente neles e uma conduta de vida aparentemente bela, estavam a
lhe acusar. E o mestre Jesus, o único que poderia apedrejá-la, pois não tinha
pecado algum, diz a mesma: “Nem eu também te
condeno; vai-te, e não peques mais”.
Tal atitude é digna de tamanha
observação. Observamos que a sociedade mundial tem vivenciado um período
extremamente amargo. Os casos de violência noticiados na TV, casos de pais
matando filhos e vice-versa, fazem-nos pensar se realmente evoluímos ou não, e
não só isso, as famílias passam por um momento complicado que vem ocorrendo em
grande escala que é a desestruturação do lar. As pessoas, a cada dia que se
passa, estão mais e mais amargas, com receio uma das outras. Pais que não
possuem uma boa relação com a sua esposa, filhos, e neste ambiente vai se
criando mais e mais adultos frustrados e infelizes. O ódio passa a ser a
postura assumida por alguns como prática de vida, e o perdão passa a ser coisa
de “outro mundo”, e com isso, vemos o reflexo dessa postura no nosso dia a dia,
nas nossas escolas, no trabalho e no até mesmo no trânsito. Uma geração que se
intitula como a geração do conhecimento, da tecnologia, mas que cada vez mais
sofre e faz os outros sofrerem, uma geração depressiva e amargurada.
O perdão surge então como o meio de se
conviver de uma forma melhor e feliz. Quando perdoamos uns aos outros,
aproximamo-nos de Deus, pois ele é o Pai Perdoador, que enviou o seu único
filho à Terra para poder dar-nos a chance de retornamos a ele e vivenciarmos a
plenitude do seu amor. O perdão une as pessoas novamente, através dele, surge à
demonstração de que há uma preocupação de se reatar algo que se tinha
anteriormente, e do qual, o indivíduo não abre mão. É dizer não, a amargura, ao
rancor, e dar um passo muito grande em direção ao amor. “Pois só quem ama,
perdoa”, quantas pessoas vivem afastadas uma das outras, sem se falarem, devido
a algum motivo, e nem sequer conseguem olhar para o outro, pois o rancor apoderou-se
dela, e fez da mesma, um mero escravo. É nesse contexto que o termo apresentado
deve ser entendido, é preciso se perdoar, e perdoar também ao seu próximo, pois
enquanto houver rancor, tristeza, não haverá espaço algum para a paz e a
felicidade.
2) A não exclusão do Próximo
E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos.
E os
fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Porque come o vosso Mestre
com os publicanos e pecadores?
Mateus 9.10,11
Vemos em Jesus, uma postura de sempre
ir aos que precisavam dele. Embora os religiosos da época, com base em uma
justificação salvífica própria, negavam-se em ter contato com os Publicanos,
profissão que era mal vista na época, e em se afastar dos ditos então como
pecadores, o Mestre Jesus, diferentemente destes, não via barreira alguma que o
distanciasse destas pessoas. Ele disse “Eu vim para os doentes, e não para os
sãos”, com isso, o vemos chegando em lugares que nenhuma pessoa tida como
importante na época ia, e além disso, demonstrava uma postura de amor, de uma
não acepção. Para ele, não importava a riqueza, a pobreza, o nível de escolaridade,
pois na sua mente fantástica, o amor estava muito acima disso, o Evangelho era
pra todos, “as boas novas” eram universais. E tal atitude não era bem vista
para os tidos como “maiorais” da sua época, entre eles, os fariseus, que sempre
buscavam uma oportunidade para poder criticar alguma atitude de Jesus. Contudo,
Jesus deixa-nos através disso, o exemplo de nunca excluir outro ser humano,
seja qual for o motivo, ele disse: “O meu
mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos
amei” - João 15:12, assim, seja qual for o motivo,
seja escolaridade, pobreza, etnia, nós não devemos olhar para o outro com
indiferença, pois se Jesus quando olhasse para nós visse somente o nosso
pecado, sem se importar conosco, ele não morreria por nós. O amor une as pessoas,
só ele consegue aproximar dois inimigos. A acepção de pessoas se associa com a
falta de amor, quando amamos de fato, verdadeiramente uns aos outros,
conseguimos tratar bem a todos e suportar estes. O mundo é mal, porque falta
amor, ninguém jamais poderá afirmar que por amor se mata alguém. Falando-se em
relacionamento entre um homem e uma mulher, o verdadeiro amor jamais poderá
implicar em se maltratar o seu cônjuge, pois amar é colocar os interesses de
outrem acima dos seus. Amar é dar a sua vida se for preciso, e o maior exemplo
de amor que temos é o de Jesus: que nos amou, antes mesmo de conhecermos a ele,
que se entregou em nosso lugar.
- Conclusão
Através desse breve texto, propus uma
observação de algumas atitudes de Jesus que se aderidas por nós podem trazer
benefícios não só a nós, mas a todos que nos cercam. Dei ênfase ao amor, pois é
a base da vinda de Jesus á Terra. Seria muita pretensão minha querer demonstrar
através de textos, a completude em todos os âmbitos do que Jesus significa, e o
peso da sua mensagem em nossas vidas. Quero somente então, deixar esse texto
como uma análise de quem quer a cada dia ser semelhante a Cristo, e que entende
que só a Luz do Evangelho pode transformar o homem, e fazê-lo um indivíduo
melhor, e que enfaticamente pode ser afirmado: O mestre Jesus é um exemplo a
ser seguido.
Autor: Edlan Santos do Amaral
Salvador – Bahia
21 de Agosto de 2015