segunda-feira, 4 de julho de 2016


CRISE MORAL NOS DIAS ATUAIS!


― Rui Barbosa             Frases - http://kdfrases.com


Falar em ética, em moral é extremamente necessário, dada a situação em que vivemos no nosso país: “mensalão”, “pixuleco”, “acarajé”, e tantos nomes mais, que apenas confirmam a crise moral vivenciada no nosso cotidiano. Mas, antes de qualquer coisa, o que seria moral? Em uma definição bem simplista, diria que seria um padrão de conduta tida como correta pela sociedade, seria fazer o que é certo, lembrando que a moral difere do Direito. A moral tem especificidades próprias, ela é subjetiva, e atua fortemente na vida dos indivíduos em geral, ainda que não se opte a agir segundo a mesma.
Comecei esse texto com uma famosa frase de Rui Barbosa, e esta frase guiará as minhas breves considerações. Infelizmente, vivemos em uma sociedade decadente, sociedade esta, que a cada dia que passa, reflete mais e mais características negativas dos indivíduos que a constituem. A grande aspiração de vida disponibilizada pela mídia, e quem tem sido incorporado por muitos indivíduos é a “cultura do ter”, na qual, o indivíduo é louvado, bem quisto, quando possui riquezas, um bom carro, um bom apartamento, quando ele pode “ostentar” o que  possui, ou seja, a busca pelo “status”, tudo isso em detrimento do “ser”, no qual, pouco, ou nada importa o que você tem, o importante mesmo é ressaltar as suas qualidades individuais, qualidades estas que trazem diversos benefícios no meio em que se vive. O perigo dessa “cultura do ter” se dá quando não se impõe limites para atingir esses fins, justificam tal ato com uma distorção de um frase de Maquiavel: “os fins justificam os meios”, ou seja, para alcançar o que quero, as palavras “não posso fazer isso”, é completamente descartada, pois o meu bem individual está acima de tudo.
O famoso jeitinho brasileiro que é a forma utilizada para se alcançar bons resultados independente dos meios utilizados está enraizada fortemente no nosso cotidiano. Na qual, o indivíduo está sempre querendo levar vantagem sobre o outro, custe o que custar, é aquela “boa” e atual forma de se dar sempre bem, pois para alguns, este é o sentido da vida humana na Terra. Falando sobre isso, lembro-me de um episódio que aconteceu comigo que reflete um pouco essa questão: Na minha infância, fui ao mercado comprar algo que a minha mãe me pediu, juntamente com o meu irmão, e nesse trajeto, bem próximo à minha casa, olhei para o chão, e vi um objeto diferente envolto numa capa de couro, e no primeiro momento, achei que era uma carteira, mas quando o peguei, percebi que tratava-se de um celular. Como uma boa criança, fiquei feliz, pois não tinha celular, contei tudo para a minha mãe, e deixei o mesmo em suas mãos, fui para a Igreja, e quando voltei, ela me disse que o dono havia ligado, e que era um rapaz que trabalhava próximo a minha casa, no dia seguinte fui devolvê-lo, ele me deu R$ 10,00 como retribuição, mas para mim, o dinheiro pouco importava, pois entendi que não poderia ficar com algo que não era meu, que eu não havia comprado. Conversando com a minha vizinha sobre essa situação, ela me disse o quão “besta” eu fui, que não era para ter feito isso, que era para ter desligado o celular, e ter trocado o chip, pois seria isso o que ela faria. Tais palavras em nada mudaram minhas concepções, pois na minha consciência tinha a certeza de ter feito o que era certo.
Na minha opinião, a corrupção, a crise da moralidade não começa “em cima”, nos altos cargos do governo, mas constitui-se na base da sociedade, que começa com questões desde “furar filas” em colégios, bancos, etc. E continua com o chamado “pistolão”, no qual um conhecido que lhe oferece vantagens para agilizar processos judiciais, garantir aquela vaga de emprego em determinado órgão público, conseguir um estágio, sem precisar passar por uma seleção, ou seja, em obter vantagens nas mais variadas áreas desejadas. E a partir dessa base, ela vai aumentando, aumentando até que pareça normal, e seu reflexo aparece nos altos cargos do governo, nas suas operações, e até mesmo na formulação de leis, que fogem do ideal de representar a melhoria das relações entre a população em geral, e passam a ser apenas, um instrumento de manutenção da classe dominante enraizada de interesses pessoais, que nada visam contribuir para o todo.
A frase de Rui Barbosa reflete muito bem a nossa situação, e me inspirou muito nesse breve relato. Infelizmente, as pessoas estão desanimadas quanto à melhoras na sociedade. Quando vemos casos de pessoas, que ao achar uma quantia em dinheiro, e a devolve, tal episódio aparece na imprensa como sendo algo de outro ‘mundo’, o que era para ser algo comum, torna-se algo raro. A injustiça toma conta do cenário mundial, os mais humildes sofrem, pois para a sua desgraça, os homens maus estão com o poder, e este poder é utilizado apenas para o seu próprio benefício, esquecendo com isso, os mais pobres. As pessoas assistem a televisão, e só veem casos e mais casos de escândalos envolvendo autoridades públicas, de pessoas que teriam como missão ser íntegras, cometendo atos ilícitos. Tudo isso só aumenta a descrença das pessoas quanto à construção de um país melhor. O que fazer então? A desonestidade, a imoralidade irá prevalecer? Precisamos pensar que nós somos os responsáveis pela melhoria da sociedade, que não devemos nos abater com a desonestidade, a corrupção, o triunfo das pessoas que as cometem. Temos que fazer a nossa parte, fazendo o que é correto, educando as nossas crianças a fazer o que é correto, não apenas com a fala, mas através de uma vida exemplar, íntegra e respeitosa. Enquanto houver pessoas com bons ideais, que não se curvem ao que é errado, sempre haverá a chance de mudarmos o mundo. Não esperemos que a mudança venha dos outros, mas sim, que entendamos que a mudança deve começar em nós. Thomas Kuhn diz que: as crises são uma pré-condição necessária para a emergência de novas teorias e novos referenciais, portanto façamos desta crise moral, não um gigante, ao qual iremos no curvar, mas sim, um obstáculo necessário para chegar a um outro estágio de nossa evolução, que iremos transpor, conduzindo a população para o alcance de uma vida melhor, mais justa e igualitária.